Policiais americanos começam a debandar após protestos dos negros

Da Redação

Após a onda de protestos do Black Lives Matter, em 2020, o número de policiais americanos que abandonam seus empregos tem aumentado cada vez mais. Asheville, na Carolina do Norte, tem sido uma das cidades americanas mais afetadas pela debandada de forças policiais, conforme matéria do New York Times. De todo o efetivo policial da cidade, um terço pediu demissão ou se aposentou.

O motivo dessa debandada? As agressões e o ostracismo sofridos pelos policiais americanos desde que começaram os protestos dos negros em 2020. A policial Lindsay C. Rose disse, em entrevista ao NYT, que conforme os protestos do Black Lives Matter foram ganhando corpo, seu mundo foi virando de ponta cabeça. Lindsay simplesmente passou a ser isolada socialmente por muitos de seus amigos e familiares apenas pelo fato de ser uma policial.

Negros depredam e roubam lojas durante protesto do Black Lives Matter.

E as hostilidades sofridas por Lindsey não param por aí. Em junho, ela estava na sede administrativa da Polícia de Asheville enquanto um protesto acontecia do lado de fora. De repente, um manifestante jogou uma bomba que incendiou as calças do uniforme dela, causando queimaduras em suas pernas. Lindsay conta que nos últimos meses as pessoas cuspiram nela e a menosprezaram por ser policial.

Até mesmo membros da tão “inclusiva” comunidade gay local passaram a hostilizá-la. Detalhe: foi essa mesma comunidade gay que, previamente, havia acolhido Lindsay quando ela chegou em Asheville e não conhecia ninguém. Lindsay se deu conta de que não era mais bem vinda entre eles quando ela estava em um evento e os membros da comunidade gay chegaram perto dela e gritaram: “todos os policiais gays são traidores!”

Policiais americanos começam a debandar após protestos dos negros
A policial Lindsay C. Rose trabalhou por sete anos no Departamento de Polícia de Asheville antes de pedir demissão no ano passado. – Foto: Clark Hodgin para o New York Times

Em setembro, ainda se sentindo devastada com tudo que vinha ocorrendo, Lindsay decidiu que precisava dar um basta. Após uma carreira de sete anos no Departamento de Polícia de Asheville, ela pediu demissão e postou um texto em tom de desabafo na internet. O desabafo de Lindsay era um misto de amargura por tudo que passou, mas também de nostalgia de sua antiga vida como policial. O texto chamou a atenção de milhares de leitores da cidade, bem como de outros lugares.

“Eu me afasto para respirar, estou saindo porque não restou nada de mim no momento ”, escreveu ela. “Estou me afogando nesta atmosfera politicamente carregada de ódio e destruição.”

Mas a agente Lindsay não era a única a passar por tudo isso. Por todos os Estados Unidos, milhares de policiais pediram para sair da polícia no ano passado.

Uma pesquisa feita em 200 departamentos de polícia dos EUA mostrou que os pedidos de aposentadoria de policiais americanos tiveram uma alta de 45% e os pedidos de demissões subiram 18% no intervalo de um ano entre abril de 2020 a abril de 2021, em comparação com os 12 meses anteriores. A pesquisa foi feita pelo Police Executive Research Forum, um instituto de políticas públicas de Washington, D.C.

 

Baixas nos departamentos de polícia faz homicídios e tiroteios aumentarem em todos os EUA

Baixas de policiais americanos tem aumentado a criminalidade nos EUA.
Baixas de policiais americanos, causadas pela intimidação negra, tem feito os homicídios dispararem em várias cidades de todos os EUA.

A Cidade de Nova York viu 2.600 de seus policiais se aposentarem em 2020, um número maior se comparado ao ano anterior, onde 1.509 policiais pediram aposentadoria. Na cidade de Seattle, os pedidos de demissão saltaram de 34 para 123 e os pedidos de aposentadoria de 43 para 96. A cidade de Minneapolis, que tinha 912 policiais uniformizados em maio de 2019, agora só tem 699. Em consequência dessas baixas no efetivo policial, várias cidades americanas sofrendo com o aumento de tiroteios e homicídios.

Proporcionalmente, Asheville é a cidade mais afetada do país. O Departamento de Polícia de Asheville perdeu mais de 80 policiais, mais de um terço de seu efetivo de 238 agentes.

O motivo parece ser óbvio: Asheville, que é uma cidade de maioria de eleitores democratas, tem sido palco constante de protestos dos negros contra a polícia local. A cidade removeu seus três monumentos confederados, incluindo o obelisco que ocupou a praça central por mais de 100 anos. Em junho, o conselho municipal concordou em alocar uma quantia inicial de US$ 2,1 milhões para pagar pelos reparos à comunidade negra de mais de 10.000 pessoas.

Policiais americanos começam a debandar após protestos dos negros
O Departamento de Polícia de Asheville perdeu mais de um terço de seus policiais. “Muito de nossa experiência está saindo pela porta”, diz o Chefe da Polícia local, David Zack. – Foto: Clark Hodgin para o New York Times

O Chefe de Polícia David Zack, de 58 anos, diz que os policiais estão sendo forçados a pedirem demissão pois os protestos se direcionam diretamente a eles. “Eles dizem que nos tornamos os vilões e que ninguém que entra na polícia quer ser vilão.”

Há uma sensação de que a cidade não deu apoio à polícia, que os policiais foram jogados aos leões. E esse sentimento tem sido a principal causa das baixas na segurança pública, segundo os policiais e autoridades da cidade. Os policiais sentiram que deveriam ter sido elogiados em vez de serem ridicularizados depois de lutar para conter protestos caóticos e garantir a ordem na cidade.

Os baixos salários contribuíram muito para aumentar a frustração. Com um salário inicial de US$ 37,000 (US$ 3,083 por mês), poucos policiais conseguem comprar uma casa em Asheville, onde a especulação imobiliária fez os preços subirem muito nos últimos anos.

Além disso, os policiais alegam sobrecarga de trabalho. Eles dizem que constantemente foram chamados para resolver problemas sociais emaranhados, como colapsos de saúde mental ou overdoses de drogas, problemas para os quais estavam mal equipados – então culpados quando as coisas davam errado.

 

Policiais americanos tem de lidar com os ataques nas redes e ameaças de violência física

Policiais americanos que pediram pra sair, dizem que sofreram uma avalanche de insultos e mensagens de “já vai tarde” em suas redes sociais.

Um sargento que pediu demissão após uma década na polícia pediu para que seu nome não fosse publicado, pelo NYT, por causa dos agressivos ataques verbais online. Ele contou ao jornal que no verão passado os ataques e insultos que sofreu corroeram seu orgulho profissional e sua saude pessoal. O policial passou a ter insônia e começou a beber muito.

Em setembro, jogaram um caixão cheio de sujeira e esterco na porta do Departamento de Polícia de Asheville. “O recado que eles deixaram representa uma mudança no tom”, disse o Chefe de Polícia Zack. “A mensagem já não pede mais a reforma das polícias, mas sim a legitimação da violência contra a policia.”

Dos mais de 80 policiais que saíram, cerca de metade conseguiu profissões diferentes e a outra metade foi para departamentos diferentes, disse o Chefe Zack. As novas carreiras dos policiais incluem refrigeração industrial, construção, imóveis e vendas farmacêuticas.

Alguns policiais acham que Asheville é o problema. Alec N. Dohmann, 30, ex-soldado da infantaria da Marinha, não tinha condições de pagar uma casa na cidade, e todo aquele ódio dirigido aos policiais durante os protestos chocou sua esposa, que assistiu, apreensiva, a tudo aquilo ao vivo pelo Facebook. Dohmann conseguiu um emprego como policial na cidade vizinha de Greenville, S.C., onde comprou uma casa.

“É noite e dia”, disse ele. “Não sei dizer quantas vezes estarei de uniforme e alguém vai se aproximar e apertar minha mão, agradecendo pelo o que eu faço.”

Policiais americanos começam a debandar após protestos dos negros
Alec N. Dohmann no Departamento de Polícia de Asheville antes ele costumava trabalhar antes de se mudar para Greenville, S.C. – Foto: Clark Hodgin para o New York Times

Recrutar novos policiais nos EUA tem sido uma missão difícil

Em razão dos ataques constantes aos policiais americanos, o recrutamento de novos agentes em todo os país tem se tornado um trabalho árduo. Isso forçou Asheville a aprovar um modesto aumento de salário. O prazo para se treinar novos policiais em Asheville é de cerca de um ano. Dos sete novos policiais que começaram o treinamento, em dezembro, seis já se demitiram.

O departamento de polícia da cidade reduziu então seus serviços, mesmo com a escalada de tiroteios e outros crimes violentos durante a pandemia. A polícia recebeu cerca de 650 chamadas de “tiros disparados” no ano passado, disse o chefe de polícia Zack, e houveram 10 homicídios, em comparação com sete no ano anterior. As agressões violentas também aumentaram.

O departamento também fechou um escritório satélite no centro da cidade, interrompeu o patrulhamento de bicicletas e está fazendo menos abordagens de trânsito. Publicou, ainda, uma lista de 10 incidentes para os quais não enviaria mais policiais, incluindo alguns roubos de veículos, e instruiu os cidadãos a fazerem reclamações simples no website em vez de telefonar.

Todos, exceto um dos sete policiais que investigam a violência doméstica e agressão sexual, saíram. Dessa forma, o departamento deslocou três policiais para fazerem treinamento e ganhar as habilidades necessárias para exercer essas funções.

Outdoor fora do centro de Asheville foi pago pelo Departamento de Polícia em Winston Salem, N.C. – Foto: Clark Hodgin para o New York Times

“Muita da nossa experiência está saindo pela porta”, disse o Chefe de Polícia Zack.

A policial Lindsey, que falamos no começo da reportagem, deixou a polícia depois de sete anos. O primeiro emprego que ela arrumou foi uma empresa de mudanças fundada por um colega policial que também havia se demitido. Ela se sentiu com raiva, cansada, descontente e como uma fracassada, ao mesmo tempo, disse ela. Ela dormia mal e não tinha apetite.

Em janeiro, ela decidiu que iria pegar seu distintivo de volta para dá-lo de presente ao seu avô, que foi quem colocou o distintivo nela, quando ela terminou o seu treinamento.

Para pegar seu distintivo de volta, Lindsay teve que falar com o Chefe de Polícia Zack. Foi aí que ela disse a ele que deixar a polícia tinha sido a decisão mais difícil da sua vida e o chefe a ofereceu uma nova função como agente de ligação com a comunidade, com o objetivo de tornar o departamento mais transparente para o público. Ele também flexibilizou algumas das regras. Ela agora poderia usar mangas curtas, por exemplo, exibindo as tatuagens em seus braços. Sua esposa, uma nativa de Asheville, endossou seu retorno também.

Ela disse sim.

A policial Rose disse que ainda nutre a ideia, plantada na primeira vez que ela entrou para a polícia, de que ela pode fazer a diferença na vida das pessoas, mas agora ela é mais cautelosa. “Foi um despertar abrupto”, disse ela. “É como se você estivesse em um relacionamento amoroso e, de repente, você foi abandonado e não sabe por quê.”

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2 Comments

  1. Dimmy
    julho 5, 2021 - 10:53 am

    Esses BLM sao uma vergonha, pegaram um criminoso para heroi, acabaram com a vida de um policial inocente. Que todos os jornalistas e esquerdistas tenham suas casas invadidas por seus herois e o pais inteiro vire uma grande Detroit…

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