Ódio a Deus: a guerra do Partido Comunista Chinês contra a fé

 

Nos mais de 70 anos de regime do Partido Comunista Chinês, a repressão religiosa não é uma exclusividade da Revolução Cultural. O Partido está “em guerra com a fé” – sejam seus alvos cristãos, budistas tibetanos, Falung Gong, uigures e outras minorias muçulmanas em Xinjiang.

Do Epoch Times

Padres e freiras foram forçados a se ajoelhar em frente a uma grande fogueira, assistindo impotentes enquanto chamas consumiam seus artefatos sagrados e o calor da imensa fogueira queimava suas peles.

Em outra cidade chinesa, estudantes usando braçadeiras vermelhas atingiram fiéis católicos com varas de madeira afiadas e, em seguida, jogaram um padre em uma fogueira, que de tanta dor, acabou desmaiando. Eles também espancaram uma freira até a morte depois que ela se recusou a pisar em uma estátua da Virgem Maria.

Em Pequim, um padre católico foi enterrado vivo depois de se recusar a renunciar à sua fé.

Por mais perturbadores que os relatos acima possam ser, esses atos de brutalidade – documentados pelo missionário de Hong Kong Sergio Ticozzi – não eram casos isolados, na China, durante o frenesi da Revolução Cultural, que começou em 1966 e durou uma década. À época, todas as formas de práticas religiosas foram declaradas como “supersticiosas” e banidas.

Entretanto, a repressão religiosa não é de longe uma peculiaridade daquele período sangrento, nesses mais de 70 anos de governo de regime comunista na China.

Ódio a Deus: a guerra do Partido Comunista Chinês contra a fé
Enquanto marcham no Capitólio, em Washington D.C., nos Estados Unidos, seguidores da Falun Gong seguram fotografias de adeptos mortos pela perseguição religiosa, em 17 de julho de 2014. (Jim Watson/AFP/Getty Images).

O controle absoluto do Partido Comunista Chinês

Crer em qualquer poder superior é pedir para ser excomungado do ateísta Partido Comunista Chinês (PCC), que por 100 anos exige lealdade absoluta e exerce total controle sobre seus membros e sobre o povo chinês, como um todo.

“Eles simplesmente não conseguem lidar com qualquer aliança que não seja o estado,” disse Sam Brownback, ex-embaixador-geral dos EUA para a liberdade religiosa internacional, ao Epoch Times.

Em razão disso, sucessivos líderes do Partido lançaram campanha após campanha para esmagar e controlar as pessoas que professam algum tipo de fé na China.

Mao Tsé-Tung, o primeiro líder do PCC, que supervisionou uma das campanhas mais bem sucedidas em desmantelar a vida religiosa chinesa, comparou religião a “veneno” em uma conversa com Dalai Lama, o líder exilado do Tibet. Em sua autobiografia, Dalai Lama se lembra de Mao dizendo a ele, em 1954, que a religião “mina a raça” e “retarda o progresso do país.”

Em 1993, o ex-líder chinês Jiang Zemin declarou que a liberdade religiosa era “inadequada para membros do Partido” e instruiu os membros do Partido a “educar pacientemente” aqueles com fé para ajudá-los a “se livrar das algemas religiosas.”

Budismo, Taoísmo, Islamismo, Catolicismo e Cristianismo são as cinco religiões que o regime sancionou oficialmente e que permanecem sob rígido controle do Estado, com oficiais do Partido definindo as diretrizes e os termos sob os quais elas devem operar.

As autoridades chinesas para assuntos religiosos tem ressaltado a necessidade de que “a religião seja conduzida com valores socialistas” e que os devotos sempre devem ter “gratidão ao Partido.”

Segundo as regras internas do Partido, seus membros estão sujeitos possível expulsão por acreditarem na religião ou se envolverem em “atividades supersticiosas.”

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Fiéis passam pela sombra de uma cruz na entrada da Igreja Católica “subterrânea” (clandestina) de Bridge Catholic Church, em Zhongxin, após um evento celebrando a Festa da Ascensão em Tianjin, em 24 de maio de 2015. (Greg Baker/AFP via Getty Images).

Marcando o centenário do Partido, chefes de seis associações religiosas estaduais se reuniram em junho e exaltaram a liderança do Partido Comunista Chinês. Reforçando o compromisso de “sempre seguir o Partido,” eles se comprometeram a iniciar uma campanha educacional para aprofundar o “amor pelo Partido” entre seus círculos religiosos.

O pastor Bob Fu, fundador do grupo cristão de direitos humanos China Aid, descreve o PCC como o “maior partido ateísta extremo do mundo.”

“[O] PCC cometeu a pior perseguição religiosa e crimes contra a humanidade”, disse Fu ao Epoch Times.

Nas palavras de Brownback, o PCC está “em guerra com a fé” – sejam cristãos, budistas tibetanos, uigures e outras minorias muçulmanas em Xinjiang, ou a disciplina de meditação Falun Gong.

“É uma guerra que eles não vencerão,” afirma Brownback.

‘Política de tolerância zero’

Um ano após o Partido Comunista Chinês assumir o poder em 1949, as tropas chinesas marcharam para o Tibete e forçaram os tibetanos a um acordo de 17 diretrizes para legitimar o governo do PCC. Mesmo assim, apesar das lindas promessas que garantiriam a autonomia tibetana no papel, Pequim transformou a região em um estado de vigilância e instalou campos de trabalho forçado.

Dalai Lama, o líder espiritual da região, foi para o exílio na Índia em 1959 depois que o regime esmagou brutalmente um levante, matando dezenas de milhares de tibetanos. Nos 20 anos que se seguiram, cerca de 1,2 milhão de tibetanos morreram sob as políticas repressivas do regime, de acordo com estimativas do governo tibetano no exílio. Mais de 150 tentaram atear fogo ao próprio corpo, num ato desesperado de desafio ao PCC.

A polícia monitora rotineiramente as correspondências privadas, faz buscas e apreensões nas casas das pessoas e examina registros telefônicos em busca de conteúdo proibido, como “música reacionária” da Índia, conforme denuncia o último relatório do Departamento de Estado dos EUA. As autoridades provinciais também proibiram os alunos de participarem de atividades religiosas durante as férias escolares. O relatório citou, ainda, que 273 tibetanos foram “detidos em violação aos padrões internacionais de direitos humanos, no final de 2019.”

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Uma freira caminha entre os destroços de casas demolidas no Instituto Budista Larung Gar, no condado de Sertar, na província de Sichuan, sudoeste da China, em 29 de maio de 2017. (Johannes Eisele/AFP via Getty Images).

Em junho de 2021, uma pastora tibetana chamada Lhamo, 36 anos, mãe de três filhos, foi detida por enviar ajuda financeira para sua família na Índia. Dois meses mais tarde, os familiares que a encontraram relataram que ela estava “gravemente machucada e sem conseguir falar,” conforme denunciou o grupo de defesa de direitos humanos Human Rights Watch. Ela morreu dias depois em um hospital local e foi imediatamente cremada.

Tendo Dalai Lama, atual líder espiritual tibetano, completado 86 anos agora em julho, Pequim já deixou bem claro que quer ajudar na escolha de seu sucessor. 

Com o atual líder espiritual tibetano em seu 86º ano, Pequim deixou claro que quer ajudar na escolha de seu sucessor. Em um white paper publicado em maio, o Conselho de Estado da China disse que identificou e aprovou “92 Budas Vivos reencarnados,” indicando sua intenção de escolher o próximo Dalai Lama quando o atual falecer.

“O PCC pratica uma política de tolerância zero quando se trata de fiéis religiosos,” disse Lobsang Tseten, diretor executivo do grupo ativista tibetano baseado nos EUA, Students for a Free Tibet, ao Epoch Times. Ele acrescentou, ainda, que o “governo arbitrário do PCC no Tibete é uma ameaça direta a todos os aspectos da vida dos tibetanos.”

O ‘achinesamento’ das igrejas

A repressão do Partido Comunista Chinês às igrejas católicas e protestantes também se intensificou sob a supervisão do atual líder Xi Jinping.

As autoridades chinesas removeram milhares de cruzes de igrejas, prenderam pastores, ordenaram a remoção de imagens cristãs e tem empreendido uma agressiva política de “achinesamento” ao estabelecer “igrejas patrióticas,” nas quais as imagens de Jesus Cristo e da Virgem Maria são substituídas por retratos de Xi Jinping ou Mao Tsé-Tung.

Ódio a Deus: a guerra do Partido Comunista Chinês contra a fé
Capturas de tela de vídeos publicados online pela ChinaAid mostram a destruição da Igreja Golden Lampstand, na cidade de Linfen, na província chinesa de Shanxi, na terça-feira, 9 de janeiro de 2018. (ChinaAid).

O regime chinês também está reinterpretando e retraduzindo a Bíblia para promover o “Cristianismo ao Estilo Chinês,” tendo um livro de didático de Ética Chinesa distorcido uma passagem da Bíblia, dizendo que Jesus apedrejou uma mulher até a morte enquanto dizia que ele também era um pecador.

Em 2017, pelo menos quatro cidades e uma província chinesa restringiram as celebrações de Natal, proibindo exibições de decorações de Natal, apresentações temáticas e atividades promocionais. Em uma universidade, autoridades comunistas baniram atividades relacionadas aos feriados religiosos ocidentais sob o pretexto de fazer com que uma geração mais jovem a “construa confiança cultural.” Em janeiro, um cristão recebeu uma pesada multa de 160.000 yuans (o equivalente a US$ 24.733 dólares) por celebrar o Natal.

As igrejas “subterrâneas” (igreja clandestinas) proliferaram como conseqüência da opressão do regime. Em resposta, as autoridades chinesas detiveram membros da igreja e entregaram longas sentenças de prisão aos pastores.

Wang Yi, um pastor em Chengdu, na região central da China, fundados de uma das maiores igrejas cristãs não registradas do país, foi condenado a nove anos de prisão em dezembro de 2019 por “operações comerciais ilegais” e “incitação à subversão do poder estatal,” uma acusação que o regime costuma fazer usa para silenciar dissidentes.

Em abril, a Radio Free Asia relatou que Pequim estava administrando instalações secretas de lavagem cerebral, que geralmente envolvem tortura, na província de Sichuan, no sudoeste da China, para forçar os cristãos a renunciar à sua fé.

‘A cada dia o Partido Comunista Chinês fica mais ousado’

Na região do extremo oeste de Xinjiang, mais de 1 milhão de Uigures e outras minorias muçulmanas estão atualmente sendo mantidos em campos de internamento chineses – que o regime chama de “centros de treinamento vocacional” ostensivamente usados ​​para “conter o extremismo” – onde os internos enfrentam trabalhos forçados, tortura, abuso sexual, doutrinação política, aborto forçado e esterilização forçada.

Liderados pelos Estados Unidos, um número crescente de países, incluindo Bélgica, Canadá, República Tcheca, Lituânia, Holanda e Reino Unido, reconheceu a campanha de repressão contra os Uigures como uma forma de genocídio.

“O genocídio dos Uigures ainda está em curso, e a cada dia o Partido está se tornando mais ousado,” disse Rushan Abbas, diretor executivo da Campaign for Uyghurs uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington – em um comunicado de 30 de junho, um dia antes da celebração do centenário do Partido Comunista Chinês. “Este é nosso último apelo de alerta de que o PCC deve ser parado se quisermos preservar um sistema global de dignidade e ordem que seja respeitado por todos.”

A mesquita Jieleixi No.13, de uma aldeia, com slogans, na fachada, dizendo “Ame o Partido [Comunista Chinês], Ame a China,” em Yangisar, ao sul de Kashgar, na região oeste de Xinjiang da China em 4 de junho de 2019. (GREG BAKER/AFP via Getty Images).

Um relatório recente de duas organizações sediadas em Washington – a Oxus Society for Central Asian Affairs e a Uyghur Human Rights Project – mostrou que pelo menos 28 países no mundo foram “cúmplices no assédio e intimidação dos Uigures pelas autoridades chinesas.” Muitos desses países tinham fortes laços econômicos com a China, incluindo aqueles que se inscreveram na iniciativa Belt and Road, da China (BRI, também conhecida como One Belt, One Road).

“À medida que a China expande seu papel de relevância globalmente por meio da BRI, é bem provável que mais países fiquem presos a relações de dependência, aumentando a capacidade da China de coagí-los ou cooptá-los para auxiliá-la na busca por exilados ou membros da diáspora,” cita o relatório.

‘Nós podemos fazer você desaparecer’

Em nenhum dos casos de perseguição, o ódio do Partido Comunista Chinês pela religião é tão mais evidente quanto na repressão sangrenta aos praticantes do Falun Gong, uma disciplina espiritual com exercícios de meditação lentos e ensinamentos morais baseados nos princípios da verdade, compaixão e tolerância, conforme descreve o site da organização.

Com medo da popularidade da Falun Gong na China, em 20 de julho de 1999, o então líder Jiang, iniciou um processo de perseguição brutal aos adeptos. As principais autoridades chinesas deram ordens secretas para “destruí-los politicamente, levá-los à falência financeira, arruinar sua reputação,” segundo um ex-coronel militar que esteve presente à reunião, na época.

Desde então, milhões de adeptos da Falun Gong foram encarcerados em prisões, campos de trabalho, hospitais psiquiátricos e outras instalações de detenção na China. Inúmeros adeptos foram torturados nesses locais numa tentativa de forçar os praticantes a desistir de sua fé. Um número incalculável morreu devido à extração forçada de órgãos – prática sancionada pelo estado da China – tendo seus órgãos cortados fora para posteriormente serem vendidos no mercado de transplantes.

A perseguição continua até hoje.

Nos primeiros cinco meses de 2021, foi documentado que 599 praticantes da Falun Gong foram condenados por sua fé; um deles, de 81 anos, recebeu nove anos de condenação, segundo dados do Minghui.org, um site com sede nos EUA que monitora a perseguição ao grupo religioso. Foi documentado que mais de 15.000 adeptos sofreram algum tipo de assédio ou foram presos no ano passado.

Atraídos por gratificações polpudas, a polícia e as autoridades locais começaram no ano passado uma ampla campanha chamada “Zero-Out Campaign” caçando adeptos do grupo religioso em todo o país, conforme relatou o Minghui. Os aderentes da organização religiosa foram instruídos a fazer uma escolha: assinar um termo renunciando à sua fé ou ver suas pensões, carreiras ou até mesmo a educação de seus filhos em perigo.

“Podemos fazer você desaparecer se dissermos a palavra,” disse uma autoridade da província de Heilongjiang – no extremo norte da China- disse a um adepto do grupo religioso.

Seguidores do Falun Gong participam de um desfile em Flushing, Nova York, em 18 de abril de 2021, para comemorar o 22º aniversário do apelo pacífico de 25 de abril de 1999, feito por 10.000 adeptos do Falun Gong em Pequim. (Samira Bouaou/The Epoch Times).

Guo Zhenfang, morador da cidade de Chifeng, no sudeste do Mongólia Interior, morreu em junho, um dia após seu julgamento. No hospital, sua família encontrou manchas de sangue em seu nariz e um ferimento na rótula. Suas costas, da cintura para baixo, estavam “vermelho-púrpura”, de acordo com o Minghui. Dezenas de policiais à paisana impediram a família de examinar o restante do corpo e enviaram-no para o crematório sem qualquer consentimento da família.

Lü Songming, ex-professor de história de uma escola de ensino fundamental da província de Hunan, no sul da China, passou um total de 14 anos na prisão. Ele perdeu cerca de 20 dentes por espancamento, trabalho forçado, eletrocussão e outras formas de tortura. Quando ele foi solto em 2018, ele tinha apenas seis dentes restantes e não estava mais apto para o trabalho. Ele sofria de insuficiência cardíaca frequente e acabou morrendo em março, aos 53 anos.

‘Uma verdadeira fraqueza’

Brownback observou que, na China de Xi Jinping, cada vez mais as táticas brutais e desumanas da era Mao estão voltando.

Mas, em meio à pressa de impor seu poder sobre os fiéis da China, o regime está “mostrando uma fraqueza real,” disse Brownback.

“Eles devem estar sentindo a perda de controle e, portanto, estão sendo muito mais repressivos e brutais”, disse ele.

Os abusos dos direitos humanos e da liberdade religiosa de Pequim estão custando ao regime sua reputação global, enquanto que internamente, está afetando sua capacidade de manter seu governo, disse Brownback.

“O comunismo e a fé simplesmente têm grandes problemas para coexistir, e a fé não será subjugada, então, eventualmente, o comunismo cairá,” ele complementa.

O pastor Fu disse que aquilo que restará do legado de 100 anos do PCC, será seu recorde como “o único partido político através do qual o maior número de vidas humanas foi arbitrariamente perdido … em toda a história humana.”

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1 Comment

  1. Dimmy
    julho 27, 2021 - 11:07 am

    Queria logo uma guerra pra ver se isso acaba ou vai ser o futuro do mundo…

    Reply

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